O tráfego é uma rota, não uma métrica
Olhe a analytics de qualquer blog que exista há dois anos, e o formato da curva é sempre o mesmo. Dois ou três artigos retêm a maioria dos leitores, um punhado de outros traz um pouco de tráfego, e uma longa cauda — muitas vezes oitenta por cento de tudo o que você publicou — permanece perto de zero. As equipes olham esse quadro e concluem que os textos não eram bons o suficiente. Nove vezes em dez, os textos estavam muito bem.
A verdadeira falha aconteceu um passo antes. O artigo foi publicado, compartilhado uma única vez e depois deixado para procurar seus leitores sozinho. A busca leva de seis a doze meses para decidir se um conteúdo novo merece ser posicionado, e toma essa decisão em parte com base em sinais que o artigo só recebe quando alguém antes lhe trouxe leitores. Sem promoção, sem engajamento inicial; sem engajamento inicial, sem posicionamento; sem posicionamento, sem tráfego; o ciclo se fecha em silêncio e não se reabre mais.
Assim, a resposta honesta à pergunta de como gerar mais tráfego para um blog começa antes da busca. Cada artigo precisa de uma rota até seus cem primeiros leitores, independente do Google, e essa rota deve ser planejada junto com o roteiro do artigo. Trate a distribuição como uma tarefa secundária, e você passará um ano produzindo conteúdo que ninguém lê; nenhum volume de textos salvará um blog conduzido dessa forma.
Uma regra a adotar
Se um artigo não tem uma rota de distribuição definida antes de começarmos a escrevê-lo, não o escreva. Só essa regra traz mais ao seu blog do que qualquer ferramenta de pesquisa de palavras-chave, e aplicá-la não custa nada.
Seis canais que trazem tráfego para um blog
O tráfego para um blog não é uma coisa única, mas uma combinação de seis canais, cada um com sua própria velocidade, custo e meia-vida. Não é preciso usar os seis em cada artigo, mas você deve saber com quais dois ou três está contando, antes mesmo de escrever a primeira palavra. A tabela abaixo é o guia rápido que nossos analistas usam para associar um artigo às suas rotas.
| Canal |
Tempo até os primeiros leitores |
Custo por sessão |
Efeito cumulativo |
Ideal para |
| Busca (SEO) |
6 a 12 meses |
Baixo, uma vez conquistado |
Sim — anos de tráfego por artigo |
Conteúdo prático respondendo a uma consulta real |
| Sua newsletter |
No mesmo dia |
Quase nulo |
Só se a newsletter continuar crescendo |
Cada artigo publicado, sem exceção |
| Comunidades |
Alguns dias |
Apenas tempo |
Baixo |
Artigos respondendo a um tema preciso e ativo |
| Recomendações e links |
Semanas e meses |
Tempo e prospecção |
Sim — os links também se acumulam na busca |
Conteúdo com dados, ferramentas ou opinião clara |
| Conteúdo em parceria |
Semanas |
Tempo, às vezes uma troca |
Moderado |
Artigos que atingem exatamente a audiência do parceiro |
| Distribuição paga |
No mesmo dia |
Alto por sessão |
Não — para assim que você deixa de pagar |
Testar um tema antes de investir em uma série |
Note que apenas dois canais funcionam no dia em que você clica em "Publicar": sua newsletter e a distribuição paga. Todo o resto leva semanas ou meses. É por isso que as equipes que apostam só na busca concluem, ao longo de todo o primeiro ano, que o blog não funciona. Ele funciona — você só ainda não vê, e se um artigo não tem uma rota quente, a busca pode nunca receber os sinais de que precisa para experimentá-lo.
A maioria dos artigos se ajusta bem a dois canais, e a um terceiro por acaso. O truque não é se agitar sobre os seis, mas escolher dois que combinem com o conteúdo, trabalhá-los como deve ser e parar de fingir que os outros quatro existem para aquele artigo. Um artigo passo a passo raramente ganha links; um estudo com dados raramente converte na sua newsletter. Associe a rota ao conteúdo, e o tráfego virá.
Anatomia de um artigo em que os leitores chegam
A distribuição só pode levar um artigo até certo ponto. Um conteúdo que não responde à pergunta digitada pelo leitor é abandonado em segundos, e a busca percebe. Antes de dedicar tempo aos canais, dedique-o à forma como o próprio artigo é estruturado. A lista de verificação abaixo é a principal que nossos analistas usam quando examinam um conteúdo que tem tráfego mas não converte, ou um conteúdo que parece capaz de se posicionar mas nunca consegue. É a base de SEO on-page necessária a cada artigo do seu blog.
- A correspondência à intenção é evidente. Nas cem primeiras palavras, o leitor entende que chegou à página certa. Não guarde a promessa para o meio — coloque-a no primeiro parágrafo.
- Cada subpergunta que os concorrentes tratam está presente em algum lugar. Se os artigos atualmente no topo do seu tema tratam dez subperguntas e o seu, sete, você está atrás em abrangência antes mesmo de a busca ler a primeira frase.
- Uma coisa na página pertence só a você. Um modelo, uma tabela, um conjunto de números, uma opinião forte — um único ativo que ninguém mais tem — é isso que renderá um link ao artigo mais tarde.
- O artigo remete aos seus outros conteúdos ao longo do texto. Não por uma seção de "artigos relacionados" no rodapé, mas por links no nível das frases, onde o leitor naturalmente vai querer saber mais. São seus links internos trabalhando enquanto os leitores ainda estão na página.
- O autor é uma pessoa, não uma célula. Um nome real, um cargo real, uma experiência real. As assinaturas de quem revisa contam hoje, e um blog com cartões de autor genéricos se lê como uma fábrica de conteúdo, tanto para os leitores quanto para o Google.
- Os números da página estão atualizados. Uma única estatística desatualizada basta para perder a confiança do leitor e o link de um autor que verifica suas fontes antes de citar.
- A estrutura é fácil de percorrer. Subtítulos a cada três ou quatro parágrafos, uma ideia por parágrafo, a conclusão mais perto do começo. Os longos blocos de texto perdem os leitores enviados pela busca, não os que vêm da newsletter.
- As cem primeiras palavras prendem. Uma afirmação concreta, um número concreto ou uma promessa concreta — não um parágrafo de aquecimento. A busca dá importância ao engajamento inicial; o leitor, à velocidade com que obtém valor.
Não é obrigatório marcar os oito pontos em cada artigo, mas um conteúdo que falha em mais de dois vai patinar, sejam quais forem os canais pelos quais você o empurre. Os canais abaixo são a forma como um conteúdo forte encontra leitores; eles não transformarão um conteúdo fraco em forte. Tanto a distribuição quanto o SEO produzem efeito cumulativo sobre um artigo sólido, mas nenhum dos dois compensa a sua ausência.
Distribuição fria e quente lado a lado
Os seis canais se dividem em duas famílias que se comportam de forma diferente e exigem um trabalho diferente. A distribuição quente — sua newsletter, as comunidades das quais você participa, os parceiros que conhecem você — traz leitores que já confiam em você e convertem. A distribuição fria — a busca, a prospecção a frio, o anúncio pago — traz leitores que não conhecem você e vão embora com mais frequência, mas chegam com o tempo em maior volume. Um blog saudável usa as duas, mas não na mesma semana para o mesmo artigo.
|
Rotas quentes |
Rotas frias |
| O que é |
Sua newsletter, comunidades, parceiros, clientes atuais |
Busca, prospecção a frio, anúncio pago, sindicação |
| Velocidade |
Do mesmo dia a alguns dias |
Semanas e meses, às vezes mais |
| Taxa de conversão |
Alta — a audiência já está qualificada |
Baixa por sessão, mas o volume pode ser grande |
| Pegada no artigo |
Um engajamento inicial que a busca lê como sinal positivo |
Uma cauda longa rentável por anos |
| Não funciona quando |
Sua newsletter é pequena ou a comunidade é fora do tema |
O artigo não responde a nenhuma consulta real ou ninguém o cita |
| Ordem de trabalho |
Fazer primeiro, na semana de lançamento |
Configurar na semana de lançamento, esperar a partir do terceiro mês |
O sentido da tabela não é que uma coluna vença a outra. Rotas quentes sem rotas frias lhe darão uma semana de lançamento densa e o vazio no quarto mês. Rotas frias sem rotas quentes lhe darão um artigo que a busca nunca experimenta. Use as duas e ordene-as corretamente — as quentes primeiro, para provar que o tema merece ser lido, as frias em seguida, para que os esforços produzam efeito cumulativo.
A semana de lançamento, etapa por etapa
Uma vez que o artigo esteja escrito e seus dois ou três canais escolhidos, o lançamento é um procedimento fixo. As quatro etapas abaixo ocupam um dia de trabalho distribuído ao longo de sete, e são elas que distinguem o conteúdo que encontra sua audiência daquele que não a encontra.